A venda de livros em livrarias físicas
Publicado em: 16 de janeiro de 2023 Categorias: Destaque

Quem ama livros como nós, sempre que entra em um shopping vai procurar descobrir onde tem uma livraria e passar por suas estantes e mesas para conferir novidades ou garimpar algum livro interessante.
Nada como poder olhar, pegar e folhear um livro para decidir se ele será nossa nova leitura e comporá a biblioteca em nossa estante de casa.
Claro que encontrar um livro que você está procurando e até comprar e receber em casa é muito mais cômodo e prático usando o Google, a sugestão de leituras de uma amiga no Instagram, aquele e-mail recebido com promoções ou, até as sugestões da própria loja a partir de seu histórico de compras online.
Mas e os livro que você não sabe que quer comprar até dar de cara com ele? Ou o apelo de compra de pegar um livro com uma capa dura super bonita? Ou ainda, a busca por aquele livro para presente que não sei por onde começar? Todas estas são experiências únicas em uma livraria física.
Livrarias físicas ainda são o maior canal de vendas de livro
É por isto que as livrarias físicas seguem sendo o principal canal de vendas no Brasil, representando em 2021, segundo a pesquisa Nielsen BookData publicado pela Câmara Brasileira do Livro e Sindicato Nacional de Editores de Livros 30% do número de exemplares vendidos e do faturamento com a venda de livros. Um pouco mais do que nas livrarias exclusivamente virtuais que foram responsáveis por 25% do volume de exemplares vendidos e 30% do faturamento com a venda de livros.
Então porque a EAB não tem seus livros a venda na livraria do shopping?
Com certeza não é porque não gostamos destes espaços. Existe uma resposta curta e outra mais longa. A curta é porque não compensa em termos de custo ter nossos livros a venda em uma loja física. A margem cobrada pelas livrarias varia bastante, mas gira entre 60% e 80% sobre o valor do livro vendido. Somente de 20 a 40% do valor do livro vendido devem cobrir os custos de editoração, de logística, de impressão e remuneração do autor ou autora.
A resposta longa exige olhar como este mercado de lojas físicas tem mudado.
Redução da diversidade de lojas e de livros
As livrarias físicas, assim como quase todos os demais ramos do comércio varejista, sofreram uma brutal concentração restando poucas redes ou franquias de livrarias. Também os consumidores mudaram e buscam a comodidade e a segurança dos shoppings. A concentração em grandes redes diminuiu a diversidade e a migração das lojas aumentou os custos para mantê-las abertas.
Os livreiros sobreviventes encontraram novas formas de receita incluindo a venda de materiais de papelaria, presentes ou cobrando das editoras pelo uso de suas bancas e estantes. Sim, aquela mesa na entrada da livraria com os livros religiosos e de autoajuda provavelmente é alugado pela editora.
Para as editoras os custos com a venda nas livrarias físicas somente compensam com a venda de um grande volume de exemplares de um mesmo título. Para ganhar em escala e diluir os custos fixos a diversidade de títulos do catálogo vai diminuir, não valendo a pena produzir livros com expectativa de poucas vendas.
Esta mesma pesquisa BookData mostra que a tiragem média do mercado brasileiro, ou seja, o número de exemplares impressos de um mesmo livro em 2021 foi de 8.500 exemplares. Para ter uma ideia do quão distante estes números estão da nossa realidade, normalmente imprimimos de 200 a 500 exemplares para os títulos impressos.
O que é possível fazer
Em primeiro lugar não se trata de encontrar culpados, mas entender a realidade deste mercado. Editoras independentes buscam alternativas para seguir publicando obras com orçamentos menores. Temos experiências animadoras como livrarias que oferecem seus espaços para eventos de lançamento e venda de livros, outras que mantém um espaço dedicado a autores locais e editoras independentes, bem como vimos com alegria surgirem algumas livrarias independentes em nichos de mercado.
Mas o dado da realidade é que para autores e editoras independentes o desafio é buscar alternativas de comercialização mais adequadas a nossa escala de produção, apostando centralmente na venda de baixas tiragens via internet e na impressão sob demanda de livros impressos.